17 de jun. de 2016

Tão Brasileirinho (2004)


É um retrato da melhor época do ano. Festas, forrós, quadrilha junina, muita comida. É a festa do milho! Seja assado, cozido, cuscuz, pamonha, canjica... é tudo bom demais. É bricadeira, é devoção e superstição em volta da fogueira. Onde a esperança se renova com os santos para quem é de santo. E haja promessa! Esse é o nosso São João.

Tão Brasileirinho
Wilton Matos / Alan Mendonça

Passo pés sobre o braseiro
É brasileiro Meu São João
E ninguém toma minha fogueira
Minha brincadeira, Minha devoção
Vou arrumando todo o terreiro
Espalhando um cheiro de recordação

Dançando ao redor do fogo
Nos olhos do novo
Eu quero o meu São João. Eu quero o meu São João.
Eu quero o meu São João. Eu quero o meu São João.

Na festa da fertilidade
Quero a felicidade por todo meu chão
Pois a vida tem seus parafusos
Seu balancê confuso, sua desilusão

Mas ninguém tira minha alegria
Meu dançar quadrilha, meu céu meu balão
Todo o meu povo se colorindo
Tão brasileirinho é meu São João

12 de jun. de 2016

Jardim da Vivenda

Wilton Matos, Bento e Ivone.

Ivone é uma estilista que faz magia com os tecidos. Fiz uma visita para encomendar novas bolsas, meus embornais de pano de rede. Mas, como entrar na Vivenda do Sossego e não se encantar com o jardim? Harmonioso, diverso e aconchegante. 

Entre as plantas passavam a todo momento borboletas, sibites e beija-flores. Um trânsito mais interessante que o da rua e ainda com seus cantos desengarrafados. De fora a dentro a casa é repleta de plantas. Flores, cactos, suculentas e frutíferas. Ainda ganhei uma romã para curar minha garganta. Uma peneira de pedreiro é moldura perfeita para pequenos jarros. Alguns organizados como uma coluna vertebral para que a rega de um fosse aproveitada do que está logo abaixo. Água hoje tem mais valor.

Esse jardim, por vezes, é um palco. Um bom costume da família é reunir amigos e entre eles grandes artistas de Fortaleza para saraus que combinam organicamente com o cenário. E como todo jardim tem história a Ivone contou uma. Ela, sentada calmamente, lendo um livro entre o verde das plantas, passa uma senhora na rua e para em seu portão. Esbaforida do calor implacável da rua pouco arborizada, diz sonoramente: "Que inveja da senhora!". Como nunca se sabe se a inveja é da cor branca é prudente um pé de arruda ou pimenteira na entrada da casa.

Bem, já espero voltar lá para tomar uma água com rapadura sentado numa cadeira no meio desse jardim. Dá uma inveja né!? 

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Dentro de Nós (2006)


Dentro de Nós
Wilton Matos / Alan Mendonça

Nada de pressa
Ainda há tanto
Pra se tocar, cantar
Em cada canto
Um olhar

Sem passado ou futuro
Meia luz, quase escuro
Claridade em sóis
Sustenidos
Suspiros
E dentro de nós

Ata, desata
Marca
Lençóis
Ato no duro
Sussurros
Indefiníveis
Indizíveis promessas

Nada de pressa
Deixa estar
Deixa desaguar
Deixa que o amor
Chega devagar
De vagar...
De vagar...

10 de jun. de 2016

Lagoa da Lua (2004)


Canção dos amantes, da lua, da chuva e tudo mais que é preciso quando se mira o céu em noite de Lua cheia. Nessas noites é certo eu pegar o violão e dedilhar esse mantra. É meu primeiro maracatu cearense. Minha alma se pintou de negrume e meu coração faz a marcação do bumbo desde então.



Lagoa da Lua
Alan Mendonça / Lenine Rodrigues / Wilton Matos

Lagoa da lua
Vem dizer
Que a chuva já vem
Vem me chover

Lagoa branca
Que ilumina meu céu
Me põe na dança
Desse carrossel

Me arruma pro amor
Me banha de cheiro
Me penteia os cabelos
Que a chuva chegou


Alma (2005)


Essa canção foi tema do show "Minha Alma Sem Fronteiras"que circulou em Fortaleza. A letra é uma obra prima do poeta Alan Mendonça que dispensa comentários.

Alma
Wilton Matos / Arilo Vasconcelos / Alan Mendonça
Violão Eagle cedido por Hugo Theóphilo

Minha alma sem fronteiras
Vai juntando estrelas
Em cada lugar

Vai plantando abrigo
Do poema o trigo
Pra se lapidar

Alma feito correnteza
De entregar-se inteira
Ao amanhã será.

E animar toda beleza
Índia nordestina negra
A verdejar
o mar

Minha alma faz canções
Aos grandes sertões
Em cada Ceará

Minha alma é de repente
É espalhar semente
E se patativar

Minha alma cria danças
De pousar lembranças
E se recriar

Minha alma lua calma
Vento e madrugada
Vivendo
la libertad

Monumento (2010)


Monumento é a vida dinâmica, orgânica e mutável a todo instante. Somos esse monumento divino que ama, sofre, cria e recria e enche de esperança a sua existência. A arte, ela é o resgate disso tudo que somos e precisamos não deixar de ser.

Monumento
Wilton Matos / Alan Mendonça

Pelos alto falantes da praça
Refaço toda a história
Do que nunca acaba
Ou é ida sem volta
Seus olhos são monumento
De alguém desconhecido

E entram no pensamento
Descarrilhado dos trilhos

Eu crio outra história
Na busca do monumento
Pra não ser ida nem volta
Te cravo no pensamento
Mas desapareces na dança
Do tempo triste e rápido

E tudo vira lembrança
Nesta canção que refaço

Pelos auto falantes da arte
Espalho a nova notícia
Velho amor volta e parte
Nos aluás maravilhas


8 de jun. de 2016

Jardim Comestível - Aula 5


Chegamos a nossa aula 5, sempre aparecendo gente nova para somar e multiplicar. Hoje tivemos um pouco de teoria e bastante prática. Aprendemos sobre os solos arenosos, argilosos e o Ph. Concluímos os desenhos dos canteiros criados a partir da observação dos padrões da natureza e a correção do solo com calcário. Depois do lanche servido por nosso anjo da cozinha, a Gil, ainda colocamos em atividade nosso minhocario. Interagimos com lagartas jamais encontradas. Sinal que ainda temos muito que aprender e conhecer com a infinita natureza.

Fotos: Wilton e Lidiane