15 de jan. de 2016

A História do Sítio São Pedro



A história do Sítio São Pedro é cheia de nuances e acasos perfeitos. Após sair do grupo dos véi que tentou criar uma ecovila, juntei-me com o meu pai, Raimundo Matos, na busca de um terreno para dar vazão a nossa vontade de plantar o que nossas mãos permitisse. Nem meu jardim, nem a calçada do meu pai cabiam tantas plantas. 

Rodamos de cima a baixo a serra de Maranguape. Vimos terrenos de todos os tamanhos, preços e condições de preservação, talvez uns vinte. Ainda há muita coisa linda nesse mundo. Tristeza foi ver tantas nascentes maltratadas com bananeiras e plantas exóticas. Quase toda semana nos embrenhamos em terrenos para encontrar aquele que equilibrasse os desejos, o nosso financeiro e as propostas. Era muito bom fazer incursões na floresta mas tínhamos que encontrar uma solução para a questão. 

Minha mãe, Ana Maria, religiosa que só ela, e com acesso vip as autoridades do céu, fez promessa detalhada e especificada para São Pedro na praia de Fleixeiras. Eu nem sabia da promessa. Quando já estava na iminência de desistir da empreitada, dei minha última cartada para um sítio que havia me interessado na serra da Aratanha. Restava só a inclusão de uma nascente para a garantia da soberania hídrica o que acabou acontecendo.

Ao observarmos os mapas, a grande surpresa. O Sítio chamava-se exatamente São Pedro. E no dia da assinatura da transferência do documento do sítio no cartório, quem estava lá?! São Pedro com todos os seus convidados e ainda o ilustríssimo Jesus. Todos celebrando numa Santa Ceia aquele momento tão importante na minha vida. E tem mais. São Pedro é porteiro do Céu. Em suas mãos estão as chaves do paraíso. E não é que a minha vida foi se fazer no CEU (Condomínio Espiritual Uirapuru) onde encontrei o Caminho para dar rumo a muitas coisa da minha vida e de outras pessoas que ali caminham.

Voltamos a Fleixeiras para quitar a promessa e minha mãe fez as suas preces e orações em agradecimentos a graça alcançada. O esforço não foi pouco. E como disse meu pai durante toda a busca: Só come caçote cobra que anda, então, bota a cobra para andar.

 

2 de jan. de 2016

Começando o Ano na Serra


Serra da Rajada. Apreciando o pôr-do-sol junto com a veiarada. Assim começa um ano que promete muito. 

27 de dez. de 2015

Calango


A gente vai jardinando e vai observando os bichos. E se ficar bem atento vai aprender sobre essas criaturas visitantes de jardim. Descobri que uma calanga (Tropidurus oreadicus) coloca seus ovos dentro do meu canteiro. Aí vez por outra aparece os seus filhos passeando. Eles são bem ariscos, difíceis de se aproximar, mas vejam só,  eles adoram banho. Quando estou regando as plantas eles se encantam com a água. Nesse momento eles não consegue me ver pertinho. Coloco eles na mão com tranquilidade e continuo o banho. Depois é só devolver e esperar o outro dia para uma nova interação com esses caçadores de lagarta e mosquitos.

Ovos de lagartixa que encontrei no canteiro. Depois devolvi para eles eclodirem.

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28 de nov. de 2015

Arte da Terra no Minimuseu Firmesa



Já tem um tempo que eu percebo que nem todo mundo acorda cedo pra plantar. Estamos trocando o relógio da natureza sabe-se lá pelo o quê. Bem, não devia ser assim. Acordar tarde é pegar o Sol já implacável. Então, os que foram chegando já fui colocando suas mão na massa, ou melhor, na terra. Aprender fazendo, construindo, em contato com a mãe Terra. Trabalhar a terra exige um preparo físico mas a recompensa é a cura do espírito. Essa manhã fluiu no grande jardim do Minimuseu Firmeza. Diversas árvores frutíferas nos davam a sobra e a brisa para aquietar o calor dos "brobrobró" de novembro.

Usamos o que tinha: telhas, folhas, adubo, mudas para criar jardins ornamentando as árvores. Criamos um círculo de proteção e refúgio para minhocas e outros bichinhos parceiros das plantas. Nos coqueiros esse círculo tem ainda a função de evitar acidentes impedindo de desavisados ficarem aguardando um coco no quengo. Nos inspiramos nas mandalas bordadas por Nice Firmeza para desenhar os canteiros e deu no que deu de beleza. Essa atividade também teve um toque do movimento "Land Art" surgido na década de 60 que faz uso de materiais naturais para construir as obras de arte.

No final, simplesmente emocionante,  as pessoas que brotaram do jardim, umas 50 pessoas, fizeram roda em torno do Baobá. Ele abriga as cinzas do artista plástico Estrigas. O momento foi para despertar as árvores que estão um tanto adormecidas em nossas mentes. Então, relembramos vários nomes de árvores até findar num abraço de baobá coletivo.

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http://www.minimuseufirmeza.org/

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Fotos e videos: Jocastra Holanda

7 de jun. de 2015

Mandala na Sociedade Sem Dinheiro


A convite do Crítica Radical, estive no Sítio Sociedade Sem Dinheiro que eu carinhosamente chamo de Sítio Cururu. Então, reunimos o grupo e construímos um grande canteiro em formato de mandala. Reaproveitamos troncos e galhos para a fertilização da terra e abrigo para microorganismos e bagana de cajueiro para retenção de umidade no solo. Isso enquanto Rosa da Fonseca nos dava os rumos da emancipação humana e Hugo Theóphilo dicas de pão caseiro com fermento natural para os nossos lanches.

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30 de mar. de 2015

Cozinhar é preciso

Durante

Depois

Cozinhar nunca esteve no meu repertório de habilidades. Não mesmo! Quem me conhece sabe o meu drama e meu trauma gastronômico. Cachorro da rua já fez pouco da minha comida e até água na panela consigo queimar. 

A falta desse dom de cozinhar tem me incomodado porque estava nos meus planos quando fui morar sozinho. E vou me incomodando mais ainda a medida que conheço a péssima qualidade dos alimentos que sou induzido a consumir na minha rotina. É uma distribuição generalizada de produtos contaminados com agrotóxicos, de alimentos transgênicos, frutas sem sabor e pouco nutritivas. Por minha saúde é preciso fazer uma revolução. 

Montei uma estratégia que parte de algo que sei fazer bem que é plantar. Assim, troquei a minha grama por plantas comestíveis e propositalmente criei um problema. O que fazer com todas essas plantas comestíveis? Comer! Claro! E digo que essa estratégia está funcionando bem. A princípio os meus sucos ganharam um tempero de hortelã,  menta e couve. O pão-de-queijo de forno ou frigideira recebe os majericões. As saladas a flor-madeira, joão-gomes, tomates... O arroz vem com os pimentões, a salsa e a cebolinha... Milho natural e cozido é algo muito saboroso. Agora já consigo colocar mais sabor e saúde na mesa. 

E o cachorro, no entanto, ainda não come da minha comida. Dessa vez é porque não sobra nada.

Agradecimentos sinceros e singelos a Hugo Theóphilo, Hermano Filho e Manoela Silva pelas dicas.


18 de fev. de 2015

Conversa no pé-de-árvore.

Foto: Nigéria
Quando a lua é nova e a força das plantas desce para as raízes, eu me dedico a arte de podar. É o momento certo para dar uma arrumada na copa das árvores, fazer uma limpeza, dar rumo aos galhos desgarrados. Com a poda é possível dar altivez a uma árvore que tenha envergado pela ação do vento, reparar algum dano causado por brincadeiras infantis ou maldades adultas descompromissadas com o meio ambiente. A fome voraz do gado de rua também causa seus estragos. Os jumentos tem preferências por plantas de praça.

Acordei cedo e cuidava da poda das árvores da "minha praça" no bairro Passaré. Algumas pessoas se exercitavam e também cultivavam o ato de se isolar no mundo com seus aparelhos de produzir felicidade. Aí, chegou um casal de idosos, atropelando a cordialidade de um bom-dia, o velho foi logo perguntando:
   - Meu fi, tô com um pé de siriguela lá em casa que não desenvolve. O que eu faço?
Sentei no pneu-canteiro do pé de oiticica que estava tratando e respirei.
   - Bom dia!... Bem… uma árvore precisa de 3 coisas basicamente: luz...
   - Tá tomando sol o dia quais todo - ele respondeu.
   - Água...
A mulher foi mostrando serviço.
   - Rego toda noite. Num falta água pra bichinha.
   - … e adubo.
O homem coçou a cabeça e não achava que estava fazendo nada de errado. Mas, a mulher disse que tinha aparecido uns fiapo branco, muito provavelmente era conchonilha, e o homem se entregou…
   - Taquei baigon!
Baixei a cabeça e veio um aperto no coração. Falta educação, controle e muito bom senso no uso desses produtos químicos. O povo se envenena de "cum força". Numa tentativa desesperada de salvar a planta fiz um pedido.
   - Aproveite a lua nova e tire toda a folhagem para tentar salvar a planta. Adube com esterco curtido que na lua cheia ela dá uma melhorada. 
Só faltei pedir pra ele fazer uma oração e perdão pela maldade que ele cometeu. E saíram discutindo pelo meio da praça. A mulher abofelando feio com ele porque ela tinha dito que não era pra colocar veneno… "ô cabinha teimoso" ouvi ao longe.

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