5 de jul. de 2016

Agrofloresta Caminho


Participei do 1º Congresso Internacional de Agrofloresta com o tema Agrofloresta do Futuro. O evento foi online e aconteceu no início do mês de junho desse ano. Com seus erros e acertos o evento reacendeu um desejo de reunir pessoas para estudar e principalmente praticar agrofloresta. É uma tecnologia ambiental e social com excelente capacidade de transformação com a urgência de um mundo em crise generalizada e num processo de grandes mudanças climáticas. 

Pra começar lancei as sementes, dispositivos simples que desencadeiam grandes efeitos. Convidei pessoas ligadas ao tema e formamos um grupo de prática em agrofloresta. Para encontrar as soluções na agrofloresta é preciso a partilha de conhecimentos, informações, sementes, mudas, frutas, afetos... e esperança. 

O encontro foi de apresentação das pessoas e das motivações para estar ali. A alimentação saudável, os agrotóxicos, as sementes naturais, a preservação e restauração do homem, da terra, o sistema capitalista e o dinheiro foram sendo problematizados nas falas de agrônomos, jardineiros, cozinheiros, agricultores e professores. Vimos o video "Da Horta à Floresta" disponível na Agenda Gotsch para inspirar nosso encontro. Depois conhecemos o espaço onde será realizada a agrofloresta e as outras atividades do Caminho.

E isso é só o começo.

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Fotos: Wilton Matos, Hugo Thóphilo e Sandra Helena

Cacos de Cristo (2005)




Quantas vezes a vida nos despedaça em cacos, retalhos e em partes pequenas difíceis de juntar?! A vida é não perdemos as forças e maneiras de reunir essas partes. Somos um vaso quebrado e colado faltando partes, essa é a nossa arte. E quase sempre juntamos a nós pedaços, poeiras de outros corações que se quebram junto de nós. Já não somos só nós a cada despedaço da vida. Já não sou só eu.

Cacos de Cristo
Wilton Matos / Alan Mendonça

Vagando catando sonhos
Corpo alma paz
Andarilho trem perdido
No tempo dos meus ais.

E me chega um viajante
De olhos tristes, distantes.
- Onde fica algum lugar?
Como se eu soubesse
Como se eu tivesse
Onde chegar.

Cheio de mundo e solidão
Arte é parte que me cabe
Parte que me cabe chão.

Hoje não quero razão
Quero a chave
Arrebentar a grade
Da minha prisão

E juntar a poeira
Dos cacos de Cristo
Dos cacos de telha
Do meu coração.

Constelação Kandahar (2012)




O sítio Kandahar é uma das unidades demonstrativas do IPC (Instituto de Permacultura e Ecovilas do Ceará), o céu é inspiração e conexão. Entre as aulas de bioconstrução, hortas, água e solos foram surgindo os versos escritos por Heliane. Antes mesmo do Curso de Desing em Permacultura findar já surgia essa canção. Pronto a permacultura fazia parte da minha vida com todas as ferramentas e estratégias sociais e musicais.

Constelação Kandahar
Wilton Matos /  Heliane Cápua


Vou contar uma história pra vocês
Onde começou a germinar
O céu vai chover
No sertão do Kandahar

Começou a brotar
Gente de todo lado
Vem de longe, de perto e do Crato
Vem do estrangeiro
Austrália, Espanha
Transformar esse mundo de fato

O saber no falar
Deixa o povo encantado
Aprender a tecnologia
Da água, da terra
Do fogo e da vida
O segredo da astronomia

Permacultura é um caminho
Que nos faz acreditar
Que existe um mundo possível
Sem precisar explorar
Se você quer entender
Todo sistema solar
Esta escrito nas estrelas do céu
Constelação Kandahar

4 de jul. de 2016

Hã? (2016)


Sim, penso e componho. Nas minhas composições eu me largo num mergulho profundo do meu eu cultural. Vou me descobrindo em poesia, notas e acordes. Procuramos respostas e lá de nossas profundezas só brolham perguntas. ...? ...? Buscar resolvê-las já nos desloca na vida mesmo sem as garantias de respostas. ...? ...?

Hã?
Wilton Matos / Poeta de Meia Tigela

O que sou? O que for
Penso não devia ser
Parece nasci para ter
Azar no jogo e no amor

Que sou eu? Quem sou?
Sou quê ou quem ou
Outra qualquer coisa
Que ser coisa coisa?
Sou alguém que fuma
Mas não se acostuma
Com o seu fumar. Bebe,
Mas não se concebe
Restrito ao beber.
Que sou? Ser é o quê?

Ser é ou. S(ou). Ou?

Sim, penso, existo.
Mas o que sou?
Sou o que hesito
Em ser? Ou... Ou
Sou só o que penso?
Mas que pensa
O quem o qual
Sou? É? Hem? Saberá?
Que tal?
Existo, sim.
Que sim sou?
Existo? Que mim sou?
Sou?
Talvez

Nem só de pão?
Eu não sei não
Troco toda a filosofia
Por uma bolacha maria.

O Caminho é a Luz



Palmeira babaçu resiste.


Andar na mata é uma experiência corporal e espiritual fabulosa. Nesse dia foram 6 horas intensas com meu pai, abrindo trilha no Sítio São Pedro que fica na Serra da Aratanha. Queríamos chegar nas nascentes por um novo caminho e testamos nossa capacidade e resistência física como nunca tínhamos feito. E não há dia sem aprendizado. 

No caminho, essa palmeira de babaçu fez a gente parar, admirar e pensar. É isso né?! Buscar a luz, seguir rumo ao que nos traz o bem, se apoiar naquele que está ao lado e continuar seguindo o caminho certo. É tão simples! Essa é a linguagem da floresta. Com nenhuma palavra diz o que é pra ser.

Para compensar a trilha encontramos mais uma nascente no terreno. Presente de São Pedro.

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28 de jun. de 2016

Jardim Comestível - Última Aula


Hoje foi o último dia do curso de Jardim Comestível no projeto Caminho. Foram dois meses de troca de conhecimentos, livros, sementes e afetos. Uma amizade que nasceu com o jardim e agora só vai crescer e florescer.

Nesse tempo vimos os tipos de jardins no mundo e criamos o nosso próprio, os tipos de solos, compostagem, podas, os tipos de plantas com o objetivo de conhecer as medicinais e comestíveis com suas utilidades. Novos Horizontes, Anspaz, Toca de Assis, Intervalo, Igreja do CEU, voluntários e caminheiros do Caminho foram as entidades do CEU (Condomínio Espiritual Uirapuru) que enriqueceram nossas aulas com as várias visões de humanidade e natureza dentro desse espaço.

O curso de Jardim Comestível foi uma semente que dispersou nos vários jardins desse Condomínio. Agora vai florescer o ser divino que está dentro de nós. Parabéns a tod@s, muito grato pela colaboração, afetos, abraços e carinho durante todo o processo. Gratidão a equipe do Caminho e a equipe do Luz Solidária da Coelce que patrocinou o curso dentro do projeto Tempo de Ser Caminheiro. Em agosto teremos mais, o curso de Viveiro de Mudas. Até lá!

24 de jun. de 2016

Teto de Estrelas (2014)


São tantas canções para Yemanjá mas essa é como deslizar num barco sob teto estrelado. É festa num oceano tranqüilo e acolhedor. Um pérola numa concha do mar. Essa, meu "Pai Aluísio" do Afoxé Obà Sá Rewá, estava inspirado.

Teto de Estrelas
Wilton Matos / Aluísio Ti Aganjú

Deixa meu barco partir
Deixa na onda eu seguir
Canto pra mãe Yemanjá
Canto nas ondas do mar

Brincar com as sereias
Viver a certeza do seu amor a mim

Como é lindo navegar
Sob um teto de estrelas
E um espelho de luar
É doce viver no mar