Essa loa embalou o cortejo do Maracatu Az de Ouro em 2016 na avenida Domingos Olympio. Baseada no documentário Tapuias e Abaunas na Terra da Luzde Becca Lopes que mostra a luta dos povos indígenas e dos negros africanos no Ceará. Composta na travessia das maiores secas do Nordeste.
Meu Maracatu
Wilton Matos
Loa 2016 Maracatu Az de Ouro
Meu maracatu
Faz danças de luas no terreiro
Gira ó meu Az de Ouro
Gira no tempo o balaio
Tapuias e Abaúnas
no ventre do céu
liberdade num raio
Canta todo índio canta
Canta negro pra se libertar
Canta todo mundo canta
Feito passarinho quando quer voar
Vem no compasso da dança
e no esquadro do maracatu
Dragão do mar chegou de jangada
Chegou pela praia desse mar azul
Desce santo, desce orixá
No terreiro do meu coração
Também chegou deus tupã
Com a flecha da libertação
A seca atravessa a vida
Onde passa trinca o chão
A nossa história não termina aqui
Sem amarras esperança no trovão
Companheira Rosa! A trajetória dessa grande mulher é conhecida por todos e eu tive a oportunidade de me aproximar da sua pessoa em meio a histórica ocupação do Parque do Cocó em 2013. Esta ciranda traduz muito do que a Rosa é e representa, mas a convivência revela muito mais ternura, inteligência e vontade de fazer um mundo mais humano.
A Rosa é a Rosa
Wilton Matos
Lá vem a Rosa vem
Na ciranda, na canção
Construindo um mundo novo
E brotando emancipação
Esse jardim é alegria em Fortaleza
Tem força e delicadeza e raiz em Quixadá
De lá pra cá trouxe energia inesgotável
Ela sempre é incansável e nos chama pra lutar
Sua presença é na rua, é na luta
E nem mesmo a força bruta vai fazer ela parar
E protestar contra essa exploração
Toda forma de opressão ela vai se indignar
E não aceita perder nossa juventude
Pela falta de atitude nesse nosso Ceará
Vai encarar e pra isso tem coragem
De enfrentar a bandidagem que só quer nos enganar
Na sua alma tem as marcas da tortura
Combateu a história impura que foi o Golpe Militar
E como está o presente não aceita
O futuro ela ajeita quando começa a sonhar
E hoje a vida é celebrar a liberdade
Com toda afetividade que nós temos parar dar
A Rosa é a Rosa e se ela é radical
Faz uma festa com sarau para o mundo cirandar
O curso de Jardim Comestível parece que ainda está longe de terminar. Tirei o dia para visitar as comunidades que participaram e ver as sementes germinando por todo o condomínio. Visitei o Intervalo, Novos Horizontes e a Igreja do CEU, ainda falta a Toca de Assis. É muito interessante conhecer a realidade de cada projeto e ver como vão se resolvendo na produção de alimentos. Vi tomate, alface, pimenta, cebolinha, coentro, quiabo... além de frutíferas como sapoti, limão, coco, condessa, ata... Partindo das práticas realizadas no curso houve iniciativas de se fazer compostagem, minhocário e produzir mudas nas comunidades. Também encontrei um sistemas de irrigação que agiliza muito as atividades que serão cenas dos próximos cursos.
Visitas assim clareiam as novas propostas e possibilidades de cursos para apoiar o que já está em processo no CEU. E hoje tive a companhia do meu pai, Raimundo, que acredito que não vai mais deixar de ir. É que o CEU é cheio de encantamentos e afetos que cativam quem chega por lá.
Quando @s amig@s entram no condomínio, nem precisa perguntar qual é a minha casa ao porteiro. Para facilitar instalei um poste com luminária ao meu estilo. Milimetricamente ajustado para a luminária cacho-mangará ficar de perfil com a casa. Essa bananeira curuda é sucesso! É a musa do momento, cientificamente falando. Os arapuás de dia reversa com os morcegos a noite na polinização para formar as bananas. Já estou pensando nas receitas, sorvete de banana, banana assada, biomassa, bananada (só quem é do Ceará é que sabe)... e por aí vai. Servidos?!
Para plantar árvores tem que acordar cedo. Se demorar muito o Sol chega esturricando o juízo. Quando cheguei os alunos ainda estava no processo de acordamento. Consegui autorização para entrar e dar uma volta na Escola. Impressionante o tanto de espaço ocioso pedindo árvores, hortas e florestas. Ainda que tenham algumas árvores, estão descuidadas ou mal posicionadas. Falta inteligência e conhecimento na escolha e no manejo. E a atitude dos alunos de começar o plantio é nobre e precisa de continuamento. Na escola deveriam ter pitombas, cajás, cajaranas, siriguelas... a cozinha podia estar ligada a uma composteira para reciclar os resíduos orgânicos e gerar adubo. Enfim, tem mais integração com a natureza já existente.
Depois do acordamento e o lanchamento fizemos uma roda de conversa. Falamos da situação na ocupação da escola, das dificuldades de mobilização e a relação com o Governo. E sobre árvores rolou a brincadeira que mostra um pouco da diversidade que podia ter na escola. Listamos 50 árvores, mas podia ser muito mais. Dicas de filme como O Homem que Plantava Árvores para inspirar e dar coragem quando se é pouco. Basta uma semente para transformar.
E vamos plantar. Usamos canteiros abandonados dentro da escola para fazer os berços e ocupá-los com um oiti e uma munguba. A missão agora é cuidar. Cuidar das pessoas, da escola e da sombra que vai chegar naquele espaço.